Homens Invisíveis: Relatos de uma Humilhação Social
Psicólogo trabalha como gari no campus da USP e faz da experiência tese de mestrado. Sua conclusão: garis são seres invisíveis, pelo menos para nós, das classes favorecidas.
A maior parte dos brasileiros está condenada inapelavelmente à invisibilidade social que o psicólogo Fernando Braga da Costa sentiu na própria pele. Mesmo para ele, cujo verdadeiro locus social não é no meio dos varredores de rua, foi uma experiência bastante dolorosa:
"Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim."
Pretendo traduzir parte da entrevista com ele para meus colegas de Etnologia interessados em Brasil. A invisibilidade social me parece ser uma das chaves para entender como funciona a estranha versão brasileira da sociedade de classes. O trabalho já virou livro. Pode mandar!


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